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Data: 24/02/2026 04:02

O risco da inteligência artificial para o futuro do aprendizado e do trabalho


Na semana passada, acompanhei o Century Summit VI, evento realizado pela Universidade Stanford que, nessa sexta edição, teve como tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”

Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins, foi responsável por uma das palestras mais impactantes

Enquanto a maioria dos participantes apontou a inteligência artificial como a saída para os impasses contemporâneos, ela preferiu alertar para o risco da idealização da IA. Allison Pugh, professora de sociologia da Universidade Johns Hopkins: empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia Reprodução Para escrever seu mais recente livro, The last human job: the work of connecting in a disconnected world (em tradução livre, O último emprego humano: o trabalho de conectar-se em um mundo desconectado), Pugh entrevistou, ao longo de cinco anos, cerca de cem pessoas que exercem o que batizou de “trabalho de conexão” (connective labor)

São profissionais como médicos, enfermeiros, terapeutas, cuidadores e até cabeleireiros, que, na sua avaliação, “vivenciam a empatia e enxergam o outro – e isso é o que o ser humano faz de melhor”, afirmou. A socióloga enfatizou que o futuro do aprendizado e do trabalho deve estar centrado nas pessoas

“Focar no potencial humano é o que leva à inovação

Quando há uma conexão mútua entre os indivíduos, eles constroem algo”, disse

Também ressaltou que criou o termo “trabalho de conexão” para chamar a atenção para a sua importância: “Estamos num momento crítico para pensar em como a inteligência artificial será usada, e o mais preocupante é ela ser apresentada como uma solução para substituir esses ‘trabalhos de conexão’

Não podemos perder de vista que as empresas de IA visam ao lucro e farão de tudo para que sua tecnologia ocupe todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia

A IA é moldada para manter o engajamento de quem a consome e seu objetivo é atender a todos os anseios da pessoa, inclusive desencorajando que se busque a ajuda de outro ser humano

Essa não é a IA que queremos

Queremos a tecnologia que fabricará medicamentos eficientes em tempo recorde, mas não aquela que pretende intervir ou mediar a vida de alguém”

Foi uma declaração forte e necessária para os tempos em que vivemos

Na opinião de Pugh, aprendizados e relacionamentos precisam de uma certa tensão, que ela chama de “fricção”

É assim que o indivíduo sai da sua zona de conforto para alcançar algo a que aspira: “Educadores sabem como essa fricção é relevante ao longo de toda a existência

A criatividade não acontece quando estamos satisfeitos

O sentido de propósito não nasce de estado contínuo de bem-estar e felicidade, mas de interações que envolvem dificuldades e tensões

No entanto, a IA é enaltecida porque não nos julga, porque não dorme e está sempre a postos e solícita

O que os algoritmos fazem é eliminar a fricção

Só que, no ambiente de trabalho e na vida, ocorre justamente o oposto

É fundamental a capacidade de se relacionar, o que pode estar sendo afetado, e até comprometido, quando se forja a ideia de que a inteligência artificial é a solução para tudo”

Para se ter uma ideia do tamanho da encrenca: na semana passada, o jornal The New York Times publicou reportagem relatando que a Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, está se preparando para gastar US$ 65 milhões (perto de R$ 340 milhões) em 2026 para apoiar políticos favoráveis à indústria de inteligência artificial

O montante é o maior investimento eleitoral já feito pela empresa e sinaliza uma prioridade corporativa de escala bilionária. Inteligência artificial na educação


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